Porque se sabe que quando se chega a um determinado ponto na obesidade, não há método, regime ou plano de ação que sirva; somente a cirurgia. É simples. É possível que você tenha experimentado na pele: depois de uma " dieta maravilhosa,"depois de ter se submetido a diversos tratamentos, hoje tem o mesmo peso que antes ou uns quilos a mais. Você não é a exceção, 98% dos grandes obesos que se submetem a um regime ou qualquer que seja, têm o mesmo peso ou mais ao cabo de um ano.
A operação para a obesidade tem basicamente duas finalidade: a primeira é diminuir a sensação de fome gástrica que tem o doente obeso e a segunda, produzir uma sensação de plenitude, de "enchimento" com muito pouco alimento. Se a pessoa não sente fome e se sente satisfeita com muito pouca comida, invariavelmente perderá peso, porque o seu corpo utilizará a energia que tem acumulada como gordura e a usará no dia a dia.
A operação de obesidade se faz basicamente reduzindo a capacidade do estômago, em outras palavras, fazendo um estômago pequeno, sem ferir nem mutilar o resto do estômago. Isto se obtém cirurgicamente ao formar um pequeno saco com o estômago remanescente, com corte, grampos de titânio ou com uma banda gástrica, de forma que o doente tenha, ao acabar a operação, um estômago à décima parte do tamanho normal.
Sim, e isto é importante. Uma pessoa pode viver se come menos calorias do que gasta seu organismo, sempre e quando tenha reservas de gordura como as que têm um obeso. A base das operações é esta: que o doente coma pouco, não tenha fome e consuma as reservas de gordura do seu corpo.
Há três tipos básicos de operações:
A primeira chama-se Derivação Gástrica, que em inglês denominam Bypass Gástrico. Nessa operação, o pequeno estômago que forma o cirurgião se une ao resto do aparelho digestivo mediante uma ponte (derivação ou bypass) do intestino. O resto do estômago continua vivo, com suas artérias, veias e nervos conectados ao resto do aparelho digestivo.
A Segunda chama-se Gastroplastia Vertical, nesta não se mexe no intestino, mediante um sistema de grampos de titânio se forma um pequeno estômago na parte vertical do mesmo, e coloca-se um anel ou uma pequena banda na parte inferior para obstruir um pouco a passagem do alimento. Finalmente a terceira chama-se Banda Gástrica Ajustável e consiste na colocação de silastic ao redor da parte mais alta do estômago para formar um mini-estômago. A banda é, na realidade, uma pequena borracha que se infla à vontade, permitindo calibrar o tamanho da cinta e, por conseguinte, o tamanho da passagem do mini-estômago ao resto do aparelho digestivo. Esta operação tem como vantagem poder ser realizada por laparascopia, que como se sabe é chamada cirurgia de invasão mínima, onde o abdome não é aberto e se pode operar através de incisões muito pequenas, de 5 a 10 milímetros de largura.
Do ponto de vista técnico, há certas variantes de cada técnica e os especialistas em cirurgia da obesidade tentam constantemente melhorar e simplificar suas técnicas. O mais importante é que o cirurgião que realiza estas operações tenha uma grande experiência em cirurgia do abdome, em particular cirurgia do estômago e intestino, que tenha experiência na cirurgia dos doentes obesos e tenha experiência no manejo integral da obesidade porque, como veremos mais adiante, o cuidado do doente operado de obesidade vai além da técnica cirúrgica.
Uma pessoa é candidata à cirurgia se tem um excesso de peso de 50% ou mais sobre o peso ideal; se tem, de acordo com uma tabela especial que usam alguns especialistas, um Índice de Massa Corporal maior de 35 ou 40; ou se tem como conseqüência de sua obesidade problemas ou doenças como diabetes, hipertensão, lesões nos ossos e articulações ou as outras doenças associadas. Na atualidade utiliza-se também o estudo da percentagem de gordura corporal para decidir a operação. Uma pessoa sã deve ter de 14 a 23% de gordura no seu corpo, a mulher pode ter entre 17 e 27%. Quando a percentagem de gordura é muito alta, 45, 50 ou 60%, essa gordura no corpo seguramente afetará a saúde. Em todo caso, é conveniente consultar a um especialista de cirurgia de obesidade para saber mais detalhes a respeito.
Além da história clínica que fará o cirurgião com todo o cuidado, é necessário fazer os estudos pré-operatórios que são:
- Biometria hemática completa
- Química sanguínea
- Perfil de lipídios
- Perfil hepático
- Perfil tireóideo
- Proteínas séricas
- Insulina no sangue
- Tempo de protrombina.
- Radiografia do tórax P.A.
- Espirometria
- Ecocardiograma
- Eletrocardiograma
- Ultra-som do abdômen total
- Endoscopia Digestiva Alta com pesquisa de H.P
- Teste Ergométrico ( se necessário)
- US com Doppler dos MMII (em casos selecionados)
O cirurgião poderá solicitar outros estudos para poder fazer uma avaliação completa.Depois dos estudos de laboratório, o cardiologista fará uma avaliação cardiovascular e pulmonar, para avaliar o risco cirúrgico e o anestesiologista avaliará as condições do doente para a anestesia.
Não se deve esquecer que estas operações não são urgentes e que devem ser tomadas todas as precauções necessárias para oferecer o melhor a cada paciente.
A vida e a alimentação são normais até a noite anterior à operação. Arrume uma malinha para passar alguns dias no Hospital. Esteja de jejum total durante 12 horas antes do horário marcado para a sua cirurgia e esteja no Hospital no horário estipulado pelo seu médico para a internação. Qualquer dúvida ligue para nós ou agende uma consulta.
O tempo operatório oscila entre uma hora e meia a três horas, dependendo da dificuldade técnica de cada caso.
Não, houve dois grandes avanços neste sentido: o primeiro deve-se aos modernos medicamentos que o anestesiologista utiliza na operação, que permitem que o doente durma e acorde sem problemas, torturas, náuseas e sem ansiedade; o segundo: deve-se aos novos medicamentos analgésicos, que permitem que a dor diminua notavelmente ou quase desapareça. Por estas duas razões, o despertar da anestesia é tranqüilo e o doente pode movimentar-se e caminhar em poucas horas depois de ter sido operado.
O cirurgião encarrega-se de que a ventilação e a hidratação do doente sejam adequadas e prescreve também três tipos de medicamentos: analgésicos para tirar a dor, antibióticos para prevenir o crescimento de micróbios e evitar uma possível infecção, e anticoagulante para "afinar" o sangue, que no doente obeso é muito espesso e pode causar trombos dentro das veias. O mais importante é que tão logo, que o doente se recupere da anestesia, pode se movimentar, sentar, levantar e caminhar, e isto o faz sentir muito bem e dormir tranqüilamente após sua operação.
Na manhã seguinte, o doente operado é encaminhado até a sala de raios X, onde faz uma radiografia do seu estômago, e a partir desse momento inicia a sua alimentação e umas horas após pode sair do hospital.
O cirurgião fará a indicação de forma clara e por escrito de como você se alimentará, sobretudo nos primeiros dias depois da operação. Vale a pena imaginar que o estômago recém operado é como o de um bebê, e tolera somente líquidos nos primeiros dias, logo líquidos e papinhas ou purês, em três refeições ao dia. Cada caso é diferente e o cirurgião decidirá de acordo com o avanço do paciente.
Em todas as operações do abdome, em especial as do estômago, recomenda-se tradicionalmente um período de recuperação de pelo menos oito dias. No caso da cirurgia da obesidade, contanto que a pessoa obesa tenha cicatrização normal, a alta do hospital se faz às 24 ou 48 horas (a estada é mais breve em casos de cirurgia laparoscópica); o doente operado pode ter sua vida normal desde quando sair do hospital. Poderá subir e descer escadas, caminhar, tomar banho, etc.
Não se deve fazer esforços grandes que possam machucar a ferida abdominal; aos seis ou oito dias, terá uma hora no consultório do cirurgião, em que serão retirados os pontos da pele. A partir desse momento, a atividade poderá ser normal; o exercício esportivo poderá voltar em aproximadamente duas semanas e o mesmo pode-se dizer da vida sexual.
Em termos gerais, os doentes obesos perdem de 8 a 12 quilos no primeiro mês e depois de 3 a 5 quilos por mês, o que significa uma média de um quilo por semana.
Não; o organismo tem uma capacidade de adaptação, de forma que, ao se aproximar do peso ideal, geralmente uns 10% acima do peso ideal, se estabelece um equilíbrio e já não diminui. Em 25 anos operando doentes obesos, somente dois tiveram uma perda de peso além do desejável, e isto associa-se a problemas emocionais e falta de controle.
O controle e seguimento pós-operatório é um dos pontos mais importantes na cirurgia da obesidade. Se um cirurgião vê um doente com pedras na vesícula, por exemplo, e o opera, ao operar elimina o problema e o doente está por assim dizê-lo curado. Mas o doente obeso ao acabar a operação continua sendo obeso e é necessário o seguimento e controle por parte do cirurgião para que os resultados sejam melhores. Neste sentido, a cirurgia da obesidade se parece à cirurgia de transplantes; um transplante pode ter êxito, mas o doente transplantado tem que continuar indo ao médico para saber como evoluiu, para prevenir problemas, e ajudá-lo a reabilitar-se totalmente. A isto me refiro quando falo de seguimento e controle. O doente operado deve vir à consulta todo mês durante o primeiro ano, depois a cada seis meses, a fim de que o cirurgião possa avaliar a evolução dos resultados.
Como falei no início, o objetivo de uma operação de obesidade é diminuir a sensação de fome e causar uma sensação de plenitude ou "enchimento" com pouco alimento. A vida nova que deve fazer o doente obeso operado consiste numa mudança de hábitos pouco saudáveis por hábitos sãos. Não haverá dietas, nunca mais dietas, mas é preciso que o doente aprenda a comer como come uma pessoa magra, e aprenda a desfrutar da comida, pois ironicamente, muito poucos obesos sabem desfrutar da comida quando são obesos, porque engolem, deglutem sem mastigar, engolem os alimentos e não os saboreiam. Por outro lado, a Vida Nova do doente operado inclui atividade física, simplesmente caminhar uma hora diária, para que seus músculos se movimentem, para que seu corpo fique mais ágil, para que recupere a sua elasticidade e vigor que havia perdido pela obesidade.
Muitos de meus pacientes operados são agora atletas, fazem esporte, ginástica, aeróbica, bicicleta, natação e alguns competem com êxito depois de terem se libertado dos quilos que sobravam. Vida Nova significa uma forma otimista e positiva de viver a cada dia um novo projeto vital, uma nova série de êxitos em cada fase da existência: na vida pessoal, íntima, afetiva, familiar, profissional, isto é Vida Nova. Sabemos que a auto-estima do doente obeso está deformada ou ausente, mas sabemos que após a cirurgia essa auto-estima recuperada faz com que a pessoa se ame, se respeite, cuide de si própria, confirmando dia-a-dia que a prioridade na sua vida é ela mesma.
Sempre se poderá manter o contato com o cirurgião através do telefone, correio, fax, ou o correio eletrônico. Muitos doentes operados, em especial os que vivem no interior do país ou no exterior se comunicam dessa forma e assim podemos, em contato, fazer um melhor seguimento do seu caso.
Não, ao seguir a indicação de alimentação adequada, sem dieta, mas sem excessos, a nutrição será completa e não haverá desnutrição. Alguns doentes necessitam vitamina A, complexo B ou ferro, mas cada caso é diferente e deve ser manejado individualmente. Com respeito à descompensação este é um termo curioso, porque se suporia que você está compensado quando estava gordo, e ao diminuir o peso, se descompensa. Não existe tal doença e, portanto não há perigo.
Claro que sim. Um grupo de doentes obesas já havia tido filhos e tiveram outros após a redução de peso. Outro grupo não podia engravidar devido a sua obesidade, que ao desaparecer, permitiu que tivessem bebês sãos. Da mesma maneira, alguns são estéreis devido a sua obesidade e, em alguns casos a infertilidade se cura com a perda de peso. Em nosso grupo temos o prazer de contar com mais quarenta bebês, dos quais gêmeos e três trigêmeos – filhos de pacientes operadas.
Quando há sobra de pele por qualquer motivo. A cirurgia Plástica pode ajudar a recuperar a silhueta corporal depois da perda de peso.
Não há uma operação melhor que a outra, as operações que aqui mostrei são as que provaram a sua eficácia nas mãos dos melhores cirurgiões de obesidade do mundo. Uma consulta com seu médico indicará qual a melhor para seu caso.
Dentre os problemas que impedem ou atrasam a cirurgia da obesidade está o tabagismo, por uma razão: todos os doentes obesos têm uma grande limitação de sua respiração, porque seus pulmões e seu tórax estão aprisionados pela gordura do peito, dos ombros, dos braços, etc.. Por isso, alguns têm que dormir com travesseiros ou sentados. Se além da obesidade o paciente fumar, seus pulmões serão ainda mais prejudicados. Eu nunca proibirei o cigarro, mas sempre aconselharei quem fuma que avalie bem os “benefícios” de fumar e os danos que este vício causa. Em relação ao álcool, seu consumo não será proibido, mas neste caso é importante que o doente obeso operado beba com moderação e sem prejudicar o seu organismo. Além disso, lembre-se que há muitas calorias ocultas nas bebidas alcoólicas.
Todos os doentes obesos requerem orientação nutricional e é conveniente que seu médico tenha o apoio de nutricionistas que ajudem na mudança saudável de alimentação. Não esqueça, após a cirurgia não haverá dietas, mas sim uma alimentação balanceada e sã.
Uma parte muito importante da atuação do cirurgião de obesidade e seu grupo é a avaliação, apoio e orientação psicológica em cada paciente. A experiência indica que a maior parte dos doentes não tem graves problemas psicológicos como causa de sua obesidade, mas sim como conseqüência, ou seja, os conflitos emocionais não causaram sua obesidade, mas sua obesidade provocou conflitos emocionais. no nosso grupo contamos com psicólogos, psiquiatras e psicoterapeutas de vasta experiência. Além disso, é preciso lembrar que o apoio psicológico da família, dos amigos e do grupo cirúrgico é importante, já que todos nós desejamos ajudar o paciente obeso.
Claro que sim. A Clínica Bonaldi conta com uma lista de pacientes operados de obesidade que concordam em conversar com você.
Cirurgia da Obesidade e do Aperelho Digestivo - Bariátrica
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